Ainda me lembro dos tempos onde a relação cliente e fornecedor era embasada em confiança mutua.
Eu sei que essa frase soa romântica demais, mas eu sou um romântico em todos os sentidos, coisa de italiano.
Mas eu não entendo o porquê de hoje em dia a relação entre as duas pontas ter se desgastado tanto.
Meu pai foi um homem de negócio, fez muita coisa em sua vida, e honrava seus compromissos como um homem sempre deve honrar. Odiava ter que às vezes fazer jogo político. Como não gostava de ser enganado também não gostava de enganar. A idéia, que o que importa é a grana no bolso, era abominada por ele. Perdeu negócios por ser ético. Mas fez amizades verdadeiras.
Onde quero chegar com isso? Explico…
Vivemos em um mundo capitalista onde o lucro é o que movimenta as ações das empresas. Estamos baseados na condição de que para ganhar dinheiro precisamos vender, e pra vender existem duas práticas:
1- Ter talento e criar algo que as pessoas precisem.
2- Ter talento pra convencer que as pessoas precisam do que você vende, mesmo que no final das contas elas não precisam de porra nenhuma.
Quem aqui já não comprou algo, muitas vezes sem precisar, mas comprou pra satisfazer o ego, como um presente pra si mesmo, como recompensa pelo trabalho, etc… As vezes com uma ajudinha do vendedor. Isso é aceitável. Mas não aceito esta prática no mundo coorporativo, no mundo de serviços, onde vendemos idéias.
Diferente do tempo do meu pai, as empresas tem seguido muito a segundo opção de vendas. Eu tenho uma idéia, altamente impactante, bonita, linda, mas que na prática não vai trazer dinheiro pro meu cliente, é uma barca furada, mas é linda.
Eu monto um espetáculo, envolvo o cliente, e o mesmo se convence com a sua ajuda que não pode viver sem este negócio. E todos ficam felizes… Até o encanto passar. Mas neste momento a sua empresa já esta com a grana, e o cliente pagou por ela porque quis.
Isso tem acontecido muito, e me entristece. Ninguém parece ter mais coragem de dizer ao cliente que uma idéia, apesar de parecer atraente, é um caminho sem volta, perigoso e que vai acabar mal. Ninguém parece mais basear suas idéias no principio mais básico de uma parceria, onde os dois lados ganham. O cliente precisa entender que ele te paga pelo seu conhecimento, pelo seu know-how, pela sua credibilidade. Mas pro cliente entender isso, ele deve ser um parceiro.
Mais que prêmios e dinheiro na conta, as relações deveriam ser baseadas no retorno que meu cliente obteve com a minha idéia, minha idéia que eu vendi fazendo meu cliente acreditar que era uma boa idéia, e o mais recompensador, eu também acredito na idéia.
Concordo que é difícil vender assim, é mais fácil crescer em cima de sonhos do que da realidade, vender gato por lebre.
Este comportamento é raro hoje em dia, como disse acima, um pouco romântico, mas deveria ser assim.